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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Cartilha para gestantes tira dúvidas sobre a gravidez

18/12/2009

Cartilha para gestantes tira dúvidas sobre a gravidez

Ana Carolina Athanásio - Agência USP

Dúvidas sobre gravidez

Uma nova cartilha educativa mostra às gestantes como proceder em momentos decisivos da gravidez e aborda questionamentos constantes das mulheres em relação ao pré-natal e ao pós-parto.

Resultado de uma pesquisa desenvolvida na Escola de Enfermagem da USP, pela enfermeira obstetra Luciana Magnoni Reberte, o material foi elaborado com base em dúvidas e sugestões de gestantes e profissionais da saúde, e foi vencedor da oitava edição do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS, promovido pelo Ministério da Saúde.

Dúvidas das grávidas

O principal diferencial da nova cartilha para gestantes foi a abordagem participativa das grávidas.

"Fizemos um levantamento do que havia disponível para as gestantes no Sistema Único de Saúde (SUS) e encontramos apenas duas cartilhas elaboradas por instituições públicas de saúde e outra que não era específica para gestantes, mas tinha como foco o cuidado da criança. Em nenhuma delas havia a participação efetiva das gestantes e foram elaboradas sem saber ao certo quais eram as dúvidas e necessidades das próprias leitoras", explica Luciana.

Todo o conteúdo presente na cartilha elaborada pela pesquisadora é resultado de dúvidas que surgiram de gestantes em um grupo de encontro organizado no Hospital Universitário (HU) da USP.

Com o objetivo de conhecer as demandas e necessidades das mulheres grávidas, Luciana criou uma base de dados referente aos questionamentos que eram motivo de dúvidas para as mulheres.

Desconforto físico na gravidez, problemas emocionais, como a ansiedade, dúvidas em relação ao parto e as soluções para algumas dessas questões foram abordadas pelas gestantes nas reuniões e inseridas na cartilha educativa.

Cartilha para gestantes

Segundo Luciana, "foi observado que as sugestões passadas às gestantes no grupo apresentaram muitos resultados positivos para as participantes e nos questionamos se poderia ser interessante expandir esse conhecimento a outras pessoas.

A cartilha para mulheres grávidas foi a melhor maneira encontrada para ampliar o alcance das dicas, sugestões e informações para aquelas que não fizeram parte do grupo e possuem as mesmas dúvidas básicas sobre gravidez".

Uma preocupação recorrente durante a produção do material foi em relação à linguagem que seria utilizada. Clareza nas informações e simplicidade na escrita foram estratégias usadas pela pesquisadora para que a cartilha fosse mais bem compreendida pelo amplo público-alvo do material.

"Nossa preocupação foi grande com o jeito de escrever a cartilha. Optamos por uma linguagem clara e objetiva, além de evitarmos usar termos técnicos. Não queríamos tratar as gestantes com infantilidade, mas tornar compreensível a leitura e a apreensão das informações por qualquer pessoa que quisesse lê-la", diz a pesquisadora.

Cartilha para gestantes tira dúvidas sobre a gravidez
Cartilha para gestantes tira dúvidas sobre a gravidez e foi elaborada a partir de dúvidas expressas pelas mulheres grávidas. [Imagem: Divulgação]

Mudanças durante a gravidez

A cartilha desenvolvida por Luciana trata de assuntos desde o pré-natal, como as mudanças que acontecem no corpo das mulheres durante a gravidez e os cuidados básicos com a alimentação que elas devem ter, até o pós-parto - a amamentação, os cuidados com o corpo e com o recém-nascido.

Além disso, o material enfatiza os benefícios da participação ativa de um companheiro, seja ele marido ou não, durante e depois da gravidez. "A cartilha mostra as melhores maneiras de o acompanhante ajudar a gestante tanto fisicamente, com massagens e cuidados com a alimentação, quanto psicologicamente, aliviando a ansiedade, por exemplo", diz a enfermeira.

Celebrando a vida

Além disso, Luciana afirma que o material é uma fonte de informações básicas que todas as mulheres deveriam ter, mas que apenas com o acompanhamento pré-natal em hospitais não é possível. A pesquisadora salienta que "a informação é um direito de todos e a cartilha serve também para isso: trazer às mulheres temas que serão úteis e importantes para essa fase de suas vidas".

Um dos grandes objetivos de Luciana é tornar o material disponível a todas as interessadas, principalmente as gestantes atendidas pelo SUS. "O prêmio que a dissertação recebeu do Ministério da Saúde foi muito importante, pois ajuda a dar impulso para o próprio material. Seria muito interessante que a cartilha fosse, realmente, implementada em unidades de saúde, por exemplo, o que possibilitaria que muitas outras mulheres tivessem direito a essas informações tão importantes sobre a nova fase que estão vivenciando", conclui a pesquisadora.

A cartilha Celebrando a vida está disponível no site da Escola de Enfermagem da USP (www.ee.usp.br/doc/celebrando_a_vida.pdf).

Fonte: http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=cartilha-para-gestantes-tira-duvidas-sobre-gravidez&id=4825&nl=sit, em 18 Dez 09, às 20h45min


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

GRAVIDEZ E SEXUALIDADE

GRAVIDEZ E SEXUALIDADE

Os hormônios da gravidez podem influenciar a mulher de diferentes formas, uma delas é no que se refere à sexualidade. As oscilações de humor durante a gestação devem ser consideradas com naturalidade e discutidas com o companheiro, que precisará ser paciente.

Hoje é comum dizer “estamos grávidos”, pois a gestação tem de ser uma decisão dos dois e uma fonte de prazer para o casal. E, ao contrário do que se possa pensar, não anula a necessidade e a vontade de fazer amor. Muitas vezes, o aumento do nível hormonal da gestante provoca maior sensibilidade e facilidade para se excitar. A corrente sanguínea também aumenta, em especial na região pélvica, o que faz com que a genitália feminina se torne mais sensível, aumentando assim o estímulo sexual. Existe ainda um outro fator determinante: sem a preocupação de engravidar, o casal pode desfrutar de todo prazer.

À medida que a gestação avança, a grávida se sente cada vez mais estimulada, pois vê a si mesma como um organismo que amadurece e infunde a vida. O poder natural que essa sensação lhe confere se traduz em radiância e exuberância. É fácil verificar que jovens grávidas se tornam maduras ao mesmo tempo que sua redondez se evidencia. Já as mais experientes, que optaram pela maternidade após terem se estabilizado profissionalmente, tornam-se como que tomadas por uma aura rosada e viçosa. A pele se tonifica e o sorriso fácil a cada nova descoberta torna sua figura luminosa.

Usufrua desse momento único! Você é toda amor e vida! Não se cobre demais, esperando que seu corpo reaja com a mesma vitalidade que desejaria. O importante é vencer as dificuldades com todo o otimismo, mantendo a harmonia com seu bebê. Cada casal possui sua própria característica, que deve ser mantida e respeitada.

Por exemplo, no início e final da gestação, você estará propensa a atravessar alguns momentos de desinteresse sexual. Não há motivo para alarme. A maior parte dos especialistas afirma que são passageiros. Desde que esse desinteresse não leve o casal a se esquecer das demonstrações de afeto mútuo.

Se o desinteresse sexual surgiu, calma! Pare, relaxe e busque a melhor maneira de abordar o tema com seu parceiro. E, mesmo que esteja se sentindo cansada para fazer amor, não esqueça que carícias e beijos são os mais poderosos aliados na luta para vencer essa indisposição.

Posições:

Certas posições como a tradicional (com o homem por cima) devem ser abandonadas nas últimas semanas de gestação. Mas isso não significa que o casal deva se abster de tentar outras formas de se relacionar.

Posições como de lado, ambos deitados ou posição em que a mulher se senta sobre o colo do homem são excitantes e seguras. A preocupação normal de todo casal quanto à segurança da criança durante o ato sexual é quase sempre infundada, pois se a gestação é normal e se o obstetra não fez nenhum alerta quanto a possíveis riscos, use a sua imaginação e seu desejo e faça amor!

Casos como placenta baixa são exceções que, para quem fez o pré-natal, já foram detectadas e devidamente orientadas. Outra preocupação é o trabalho de parto prematuro, mas faça seu pré-natal adequadamente que, seu médico obstetra irá lhe orientar conforme seu caso. O importante é saber que não existe nenhuma contra-indicação para o ato sexual durante a gestação, pois o bebê encontra-se dentro de uma bolsa d’água que o envolve e protege, atuando também como amortecedor. A mucosa cervical, responsável pelo fechamento da entrada do útero, também funciona como um fator protetor, já que impede a penetração de qualquer infecção bacteriana.

O sexo durante a gravidez pode trazer surpresas, e não são raros os casos de mulheres que tiveram o primeiro orgasmo durante a gestação. Além disso, o sexo exercita os músculos pélvicos, mantendo-os firmes e flexíveis para o parto. Mas se por algum motivo seu médico recomendar abstinência, não existe a necessidade de você e seu parceiro se afastarem. Pelo contrário, devem continuar trocando carícias, preservando assim, a intimidade sexual do casal.

Enfim, a sexualidade durante a gravidez tem tudo para ser ainda melhor que antes. E por que não praticá-la? É fundamental, no entanto, que ambos se dêem o direito de desabafar com o companheiro sua insegurança e ofereçam esse mesmo direito ao outro, da mesma forma e na mesma proporção.


Retirado do livro: Grávida e bela – um guia prático de saúde e beleza para a gestante, de autoria da médica Carla Góes Sallet (Ed. Ediouro)


Texto Elaborado pela Enfermeira Obstetra Leila Regina Wolff


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

PSICOLOGIA DA GRAVIDEZ, PARTO E PÓS-PARTO


A gravidez é um período de transição que faz parte do processo normal de desenvolvimento de um casal. Assim, a maternidade e a paternidade são momentos existenciais de extrema importância no ciclo vital de mulheres e homens. É também durante a gravidez que se iniciam a formação do vínculo pais-filho e a reestruturação da rede de intercomunicação da família, um ponto de partida de um novo equilíbrio dinâmica da unidade familiar. A gestação e o nascimento de um filho fazem a mulher e o homem reverem seu papel como casal e como mãe e pai, e repensarem também a dinâmica da família.

A gravidez é um período único na vida de uma mulher, não importa por quantas ela tenha passado. É um tempo em que a mulher vive da graça de saber que, através dela, está vindo ao mundo um novo ser, com toda sua singularidade. Outra forma de amor começa a ser experimentada. Coração e alma se inundam de curiosidade pela pessoinha que ainda não se conhece e que mudará tudo para sempre. Entre a mãe e o bebê cria-se desde o início uma conexão que tem o signo da perenidade em seus compromissos. Mas também é um tempo de medos e ansiedade, de esperança e de transformações. Enquanto o corpo vai mudando e a expectativa cresce, as exigências do mundo não dão trégua. É preciso continuar a trabalhar, a manter o bom humor, a alimentar-se bem, a cuidar da saúde de si própria e do bebê que está em formação, a cuidar da beleza e, ao mesmo tempo, preparar-se para incondicionalmente amar seu bebê. A vida do homem também muda, e este tem o direito de expor suas dúvidas, angústias e incertezas, e sobretudo, devemos permitir-lhe o prazer de participar desse momento tão único na vida do casal.

A gravidez é uma transição que faz parte do processo normal do desenvolvimento humano, que envolve a necessidade de reestruturação e reajustamento em várias dimensões. Inicialmente verifica-se a mudança de identidade e uma nova definição de papéis: a mulher passa a se olhar e a ser olhada de uma maneira diferente. A grávida além de filha e mulher passa a ser mãe. Evidentemente, o mesmo processo de mudança de identidade e de papel se verifica no homem, e também a paternidade deve ser considerada como uma transição no desenvolvimento emocional do homem.

A complexidade das mudanças provocadas pela vinda do bebê não se restringe apenas às variáveis psicológicas e bioquímicas, os fatores socioeconômicos também são fundamentais. Numa sociedade em que a mulher costuma trabalhar fora, muitas vezes responsável pelo orçamento familiar e, cultiva interesses profissionais e sociais, o fato de ter um filho acarreta conseqüências bastante significativas. Quando houver privações reais, sejam afetivas ou econômicas, aumentam a tensão, intensificam a regressão e a ambivalência. A preocupação com o futuro aumenta as necessidades da grávida e dessa forma intensificam sua frustração, podendo gerar como conseqüência, raiva e ressentimento, que impedem de encontrar gratificação na gravidez.

Outra característica da gravidez como transição é o fato de representar uma possibilidade de atingir novos níveis de integração, amadurecimento e expansão da personalidade. Uma relação saudável implica em perceber e satisfazer de modo adequado as necessidades do bebê.

Ao situar a gravidez como crise ou transição não quer dizer que o período crítico termine com o parto. Na realidade, grande parte das mudanças maturacionais ocorre após o parto e, portanto, é um período considerado como a continuação da situação de transformação, pois implica novas mudanças fisiológicas, consolidação da relação pais-filho e grandes modificações da rotina e do relacionamento familiar.

É importante enfatizar que o nascimento de um filho é uma experiência familiar. Portanto, para se atingir o objetivo de oferecer uma assistência pré-natal mais global, é necessário pensar não apenas em termos de “mulher grávida”, mas também de “família grávida”. Desde o conhecimento da gravidez até as primeiras semanas após o parto, quando a interação entre mãe e bebê é extremamente próxima e o marido-pai participa ativamente, forma de fato uma tríade familiar.


Retirado do livro: Psicologia da Gravidez, Parto e Puerpério, de autoria da psicóloga Maria Tereza Maldonado (Ed. Saraiva)

Texto Elaborado pela Enfermeira Obstetra Leila Regina Wolff